As Linhas de Trabalho na Umbanda

 

Agora vamos falar um pouco das linhas de trabalho na Umbanda. 

Se você já foi ou ouviu falar de uma gira, você deve ter escutado: "Hoje tem Gira de Caboclos, Erês, Preto Velhos, Pombagira e etc. Não é mesmo?

As linhas de trabalho na Umbanda, também chamadas de FALANGES, são agrupamentos de espíritos que atuam numa determinada faixa vibratória correspondente a uma energia que está relacionada diretamente a um Orixá.
 
Temos também a definição e a separação das “linhas de trabalho” por seu campo de atuação, sendo possível também um mesmo espírito atuar em mais de um campo vibratório de energia.

As três primeiras a serem utilizadas foram os Erês, Caboclos e Pretos Velhos, representando, respectivamente, a criança/aprendiz, o jovem/guerreiro e o ancião/sábio. Podem representar também as três fases da vida (infância, juventude e velhice).

Com a evolução da Umbanda, outras linhas foram adicionadas e os termos "Direita" e "Esquerda" foram criados. A Direita se refere às linhas que trabalham o racional e, de certa forma, energias mais etéreas e voltadas ao desenvolvimento consciencial. Já a Esquerda se refere às linhas que lidam com o campo emocional, cujo trabalho é feito com energias mais densas e muito ligadas aos vícios da matéria.
 
LINHA DA DIREITA: deve se entender DIREITA como o campo vibratório de trabalho do espírito, sendo considerado que existem sempre dois polos.

LINHA DA ESQUERDA: deve-se entender ESQUERDA como o campo vibratório de atuação de espíritos GUARDIÕES que atuam diretamente para nossa proteção e responsáveis em executar às LEIS DIVINAS.

Cada Linha de Trabalho é regida por um Orixá "masculino" e um "feminino", não necessariamente do mesmo Trono, como mostra a figura abaixo:




As linhas de trabalho na Umbanda são os arquétipos das entidades que trabalham na religião. 

Tradicionalmente, quando se fala nas entidades que trabalham com a Direita, ligamos aos três primeiros arquétipos acima mencionados: Pretos Velhos, Caboclos e Erês, enquanto que na Esquerda remetemos a Exus e Pombogiras. Entretanto, apesar dessa divisão, muitas entidades transitam entre ambas, independentemente de qual seja o seu arquétipo.

À medida que a Umbanda foi se propagando e se consolidando, mais arquétipos foram incorporados à religião, afinal, por se tratar de um culto sem preconceitos, qualquer um pode trabalhar da sua forma e trazer seus elementos culturais específicos. Abriu-se então espaço para que outras linhas, intituladas "Neutras", pudessem trabalhar, como Ciganos, Boiadeiros, Malandros e Marinheiros, por sua capacidade de trafegar entre as faixas de luz e trevas do planeta.

Agora vamos conhecer alguns detalhes das linhas de trabalho


Atuam na “LINHA DE DIREITA
 
ERÊS
Yori, Erês, Dois-Dois, Crianças, Ibejis são as diversas maneiras que se conhece esta linha. Espíritos inocentes, puros e diretamente ligados ao plano astral, fazem um trabalho alegre e verdadeiro. Gostam de brincar e de muito doce. Suas cores vibratórias são rosa, aianças e consulenteszul e branco. Como elementos de trabalho utilizam brinquedos variados. Não fazem uso de fumo para seus trabalhos e suas bebidas podem variar entre refrigerante, sucos, chá ou água mineral. Doces variados como balas, bolo, arroz doce, mel, chocolate e frutas em geral são alimentos essenciais para essa linha, geralmente distribuem para as crianças e consulentes. As ervas como flores brancas e amarelas, rosas brancas, flores do campo, entre outras.

CABOCLOS
São espíritos que se apresentam, em sua maioria, como índios. Utilizam das energias de ervas para seus trabalhos e seus pontos de força são as matas. 
As cores vibratórias são verde e branco. Usam também como elementos de trabalho o fumo (podem se o cigarro de palha ou charuto) e a bebida (cerveja clara, vinho doce, suco de frutas, água mineral, entre outras.). 
Como alimento podem usar milho verde, abóbora, moranga, batata doce, mandioca, sementes em geral e frutas. 
Suas ervas são as mais diversas, podendo utilizar elas sozinhas oiu combinadas com uma ou mais. São elas: guiné, arruda, jurema preta, quebra demanda, espadas de São Jorge e de Santa Bárbara, arnica, samambaia, alecrim, manjericão, hortelã, folhas de café, eucalipto, girassol, bálsamo, flores variadas, entre outras.

PRETO-VELHO
São espíritos que se apresentam, em sua maioria, como anciões e escravos. Utilizam das ervas como grande instrumento de trabalho, onde realizam benzimentos, ainda utilizadas também princípio ativo gerador de cura através de manipulações para receitas de chás e banhos. Muitas de suas ervas consistem de raízes e também utilizam alecrim, arruda, guiné, manjericão, boldo, folha de fumo, manjerona, sálvia, louro, flores brancas, entre outras.
Suas cores vibratórias são o preto e branco. 
Seus elementos de trabalho podem variar entre o fumo (cigarro de palha e cachimbo) e bebidas como o café, água mineral e chás das mais variadas ervas. 
Como alimento utilizam bolo de milho, pamonha, cural, bolo de fubá, mandioca, batata doce, doce de abóbora, rapadura e frutas. 


Atuam na “LINHA NEUTRA

BAIANOS
Eles vêm sempre muito alegres, fazem suas danças e é visível o quanto eles são capazes de alterar a vibração e energia dentro de um trabalho mediúnico.
São espíritos que se apresentam, em sua maioria, como de regiões da Bahia e Nordeste em geral. Bastante ativos, se movimentam com frequência e são muito falantes, utilizam da dança muitas vezes como forma de descarrego dos assistidos. Usam diversos elementos como energia de trabalho, como por exemplo, velas, contas e guias, fumo e flores. 
Suas cores vibratórias são amarelo e branco. 
Como elementos de trabalho utilizam o cigarro de palha, charuto ou cigarro de filtro e suas bebidas podem variar entre água de coco, suco de frutas, cerveja branca, batida de coco e água mineral. 
Os alimentos mais característicos desta linha são: coco; cocada; farofa com carne seca; melado; rapadura e grãos.  
Utilizam flores amarelas e vermelhas em geral, como: girassol, cravo, palmas e rosas amarelas e vermelhas, açucena, primavera, gérberas amarelas e vermelhas e flores do campo.

CIGANOS
São espíritos que se apresentam, em sua maioria, do oriente, egípcios e árabes, como um povo antigo, místicos e de alma livre. 
Muitos ligados à Santa Sara Kali, trazem com eles muita alegria, dança e cultura variada.  Suas cores vibratórias são as mais diversas, predominando muito cores fortes como azul royal, roxo, vermelho e amarelo. 
Os principais elementos de trabalho são: o incenso e também lenços, fitas, castanholas, chocalhos, pandeiros, cristais e moedas. O cigarro com filtro ou cigarrilha e bebidas que podem variar entre vinho, suco de uva, chá ou água mineral são muito utilizados nos rituais. Como alimento utilizam frutas variadas, pão, polenta e grão de bico. 
As principais ervas dessa linha são: Incenso, jasmim, alecrim, sálvia, hortelã, pétalas de rosas, folha de laranja e limão, folha de louro, pétalas, folhas e raiz de violeta, canela, cravo, folha de tabaco e folha de sândalo.

MARINHEIRO
São espíritos que se apresentam, em sua maioria, como marinheiros, capitães ou pescadores. Utilizam da força das águas para seus trabalhos, tendo como ponto de força rios e mares. Passam a impressão de estarem “bêbados” com seus movimentos contínuos de um lado para o outro, porém na verdade é a representação do movimento continuo das águas, e muitas vezes por serem espíritos brincalhões afirmam estarem embriagados. Suas cores vibratórias são azul claro e branco. Seus elementos são o cigarro de filtro, charuto ou cigarrilha e suas bebidas podem variar entre cerveja clara, vinho, rum, aguardente, suco de frutas ou água mineral. O peixe e frutos do mar em geral são alimentos utilizados nos seus trabalhos.. Ervas como alfazema, erva-cidreira, anis estrelado, rosa branca, camomila, manjericão, erva de Santa Maria, mentruz, hibisco (flor), manjerona, mulungu (casca e raiz), noz moscada, margarida, sensitiva, arroz, erva de bicho, buchinha do norte, casca de alho e cebola são utilizadas nos trabalhos, recomendadas para banhos e etc.
 
BOIADEIRO
São espíritos que se apresentam, em sua maioria, como vaqueiros, boiadeiros ou tocadores de boiada. São de poucas palavras, de movimentos rápidos e muitas vezes aparentando estar com chicotes ou laços em mãos. As cores vibratórias dessa falange são laranja marrom e branco. Os elementos mais utilizados são o cigarro sem filtro, cigarro de palha ou cigarrilha e suas bebidas podem variar entre cerveja clara ou escura, vinho tinto, aguardente, suco de frutas cítricas ou água mineral. Os alimentos utilizados são mocotó, feijão tropeiro, arroz com lentilha, carne seca, costela de boi e frutas cítricas. As ervas são folhas de bambu, arruda, eucalipto, quebra-demanda, espada de São Jorge, lança de Ogum, espada de Santa Bárbara, pinhão roxo, casca de alho, casca de cebola, canela, anis estrelado, cravo, folhas de limão e de laranjeira, folhas de café e de fumo (tabaco).

 MALANDROS
A linha dos Malandros é muito envolvente. Representam esta linha os antigos boêmios do Rio de Janeiro que são grandes galanteadores e jogadores de cartas, assim como os catimbozeiros nordestinos. Sr. Zé Pelintra, um dos seus principais representantes, talvez seja a Entidade mais cultuada no Brasil, o que torna sua presença praticamente obrigatória em todos os terreiros.
Na Umbanda, o Malandro não representa alguém que tira vantagem sobre o outro através de artimanhas e formas ilegais ou imorais de conduzir as coisas. Mas sim a malandragem no sentido da destreza e sabedoria popular para a superação dos obstáculos em busca dos objetivos. O famoso “jogo de cintura”.
A atuação dessa linha é bastante ampla, da cura à quebra de demandas, mas são mesmo especialistas em abrir os caminhos e proteger os filhos de fé. 
O Campo de atuação dessa loinha são a limpeza energética, purificação e equilíbrio, corte de magias negativas e abertura de caminhos para a prosperidade. 
Como já esperado, pelas cores das vestimentas dos malandros, as cores dessa falange são: Branco/vermelho, branco/preto, preto/vermelho.
As Ervas são Quebra demanda, arruda, guiné, jasmim, folha de laranja, limão, pitanga, café etc. Cravos vermelhos e brancos, rosas e flores brancas e vermelhas.
As bebidas mais utilizadas por essa linha são: Conhaque, cerveja, cachaça, entre outras.


Atuam na “LINHA DE ESQUERDA
 
EXÚ
São espíritos que tiveram várias encarnações terrenas, cometendo acertos e erros como todo ser humano. Ao longo de sua jornada obtiveram a autorização do astral para se concentrar em trabalhos espirituais regidos pela Lei Divina e com a finalidade de ajudar o ser humano em sua evolução, onde assim se tornaram os executores da Lei Divina. 
Atuam como guardiões e protetores, sendo eles também duros e vorazes para aquele que se desvia do bom caminho. 
Suas cores vibratórias são preto, branco e vermelho. 
Os principais elementos de trabalho são guias de contas, velas, pedras e cristais, ervas, incenso, o cigarro com filtro ou cigarrilha, charuto e suas bebidas podem variar entre aguardente, rum, conhaque, vinho, caldo de cana ou água mineral. Como alimento ritualístico utiliza farofa, carnes e pimenta, cebola, alho, frutas. ERVAS: Casca de alho, casca de cebola, açoita cavalo, dandá, pinhão roxo, valeriana, raízes e folhas secas, gengibre, bambu seco, pimentas, folha de pitanga, folha de mamona e cravo vermelho.

 
POMBAGIRA
Pomba-Gira pode ser traduzido como a mensageira dos caminhos à Esquerda. “Pomba” é um pássaro que já foi usado como correio (pombos-correios) e “gira” expressa a ideia de movimento, caminhada, deslocamento. Como essas Entidades atuam na Esquerda, vem o significado de mensageira dos caminhos à Esquerda. No geral se dá a incorporação destas entidades em médiuns femininas. Seguem a mesma linha de trabalho dos Exús, com a finalidade de ajudar o ser humano em sua evolução, onde assim se tornaram os executoras da Lei Divina. Atuam como guardiãs e protetoras, e têm um modo muitas vezes menos duros de lidar com os desvios e erros do ser humano. Suas cores vibratórias são vermelho, preto e branco. Como elementos de trabalho utilizam guias de contas, velas, pedras e cristais, ervas, incenso, o cigarro com filtro ou cigarrilha e suas bebidas podem variar entre licor, champanhe, vinho, caldo de cana, suco de frutas vermelhas ou água mineral. Os alimentos ritualísticos dessa falange são farofa, carnes, pimenta, cebola, alho, frutas vermelhas, como morangos, amoras, maçãs, uvas e etc. Suas ervas mais usadas são a Casca de alho, casca de cebola, açoita cavalo, dandá, pinhão roxo, valeriana, raízes e folhas secas, gengibre, bambu seco, pimentas, folha de pitanga, folha de mamona e rosa vermelha.

 
EXÚ-MIRIM E POMBAGIRA-MIRIM
São espíritos que em sua maioria tiveram seu desencarne quando eram crianças, também tiveram várias encarnações terrenas e atuam ao lado dos Exús e Pomba-Giras nos trabalhos espirituais. Não são filhos de exu e pomba-gira. Mesmo infantilizados em sua maioria, seus trabalhos são feitos com muita firmeza e responsabilidade. Suas cores vibratórias são preto, branco e vermelho. Como elementos de trabalho utilizam moedas, carrinhos de ferro, bonecas, brinquedos em geral, sementes, fitas e cristais. A maioria não utiliza o fumo. Gostam de balas “duras e “ardidas” e suas bebidas podem variar entre refrigerantes, pingas, sucos de frutas, chás ou água mineral. Os alimentos utilizados são farofa de farinha de milho amarela, pimenta, rapadura, cocada seca, pé-de-moleque, balas de menta ou hortelã. As ervas são a Casca de alho e de cebola; folhas de laranja e limão, açoita cavalo, pinhão roxo e dandá.

Agora já conhecemos um pouco as linhas de trabalho na Umbanda, como atuam, seus elementos, cores e etc.


Quem já leu e chegou até aqui, já tem bastante conhecimento da religião umbandista e espero que vocês tenham curtido e se identificado.

Nós próximos posts vou entrar em assuntos específicos, como tronqueiras, encruzilhadas, ervas, entre outros.

Aguardem!!!!



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