Os Orixás na Umbanda - Trono da Geração

E chegamos ao último trono. O Trono da Geração que traz consigo os orixás Iemanjá e Omolu.

Tem como atributo estimular a geração. Tem como atribuição captar todas as irradiações e vibrações mentais geradoras vibradas pelos seres.
A linha da geração refere-se não somente à geração e ao fim da vida, como intuitivamente é associada. Diz respeito, ainda, ao fim dos ciclos da vida e ao início de novos ciclos. 

No pólo positivo da linha de força irradiada pelo Trono da Geração está assentada IEMANJÁ, a Mãe da Vida.
No Pólo negativo está assentado OMOLÚ, o Senhor da Terra.


IEMANJÁ

É o Orixá feminino da Geração e o seu campo preferencial de atuação é no amparo à vida, em todas as suas formas.

 O seu nome tem origem nos termos do idioma Iorubá (língua nígero-congolesa) “Yèyé omo ejá”, que significam “mãe cujos filhos são como peixes”.

É a mãe de todos os filhos, mãe de todo mundo. É ela quem sustenta a humanidade e, por isso, os órgãos que a relacionam com a maternidade são sagrados.

Iemanjá é o espelho do mundo, que reflete todas as diferenças, pois a mãe é sempre um espelho para o filho, um exemplo de conduta. Ela é a mãe que orienta, que mostra os caminhos, que educa, e sabe, sobre tudo, explorar as potencialidades que estão dentro de cada um.

Considerada uma mãe jovem, porém madura, Iemanjá é uma das Orixás que mais possui filhos. Eles costumam gostar muito de luxo e às vezes chegam a ser um pouco exagerados. Detentores de um plano de vida muito bem elaborado, possuem um grande equilíbrio e domínio emocional.
Sempre muito sábios, eles são capazes de dizer verdades que nem todos gostam de ouvir. Os filhos da Orixá Iemanjá são protetores e estão sempre dispostos a ajudar e cuidar dos problemas dos outros como se fossem seus, além de um grande instinto maternal – já que possuem grande conexão com o Mistério da Geração.

Iemanjá tem como principais cores o azul claro, o branco e o prata. As três cores, que estão quase sempre presentes em suas vestimentas e em seus adornos, representam todo seu mistério (associado ao fundo do mar) e também a sua vaidade.

Na igreja católica a Orixá está associada principalmente à Nossa Senhora dos Navegantes, mas também à outras Santas, como Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora da Piedade, e a própria Virgem Maria.
O sincretismo de Iemanjá com Nossa Senhora dos Navegantes teve sua origem no século XVIII. Resultado de um conflito ocorrido pelo choque entre as religiões dos negros trazidas da África com o catolicismo já instituído no Brasil.
Seus cultos são tradicionais na Bahia, no dia 2 de fevereiro (Festa de Iemanjá em Salvador) e no dia 08 de dezembro (missa de Nossa Senhora da Conceição). Em São Paulo, as homenagens a Iemanjá acontecem no dia 02 de fevereiro, pelos Candomblecistas e 08 de dezembro, pelos Umbandistas na Baixada Santista. No Rio de Janeiro, as homenagens a Iemanjá são celebradas no dia 31 de dezembro. 

As oferendas a Iemanjá geralmente são entregues no mar (denominado calunga grande). Antigamente, levava-se ao mar barquinhos de madeira, com perfumes, rosas, sabonetes e espelhos. Esses barquinho chegavam as praias e viravam brinquedos dos filhos de pescadores. Contudo, com o passar dos anos e popularização do culto criou-se os barquinhos de isopor. O número de fiéis cresceu exponencialmente e é infinitamente maior do que a população de filhos de pescadores. Por questões ecológicas óbvias (o isopor pode levar até 150 anos para se decompor), foi então extinguida a entrega de barquinhos isopor respeitando o compromisso ambiental.
Atualmente os barquinhos voltaram a ser de madeira, porém são levados ao mar, as oferendas despejadas nas águas e os barquinhos retornam com os respectivos donos, médiuns, terreiros, templos e etc.
Normalmente, coloca-se no barquinho  rosas brancas ou azuis, perfume de alfazema (sem o frasco de vidro ou plástico), champanhe branca (sem a garrafa) e papéis com os pedidos para a Orixá. 

A saudação é “Odoyá” e as velas entregues são azuis e brancas.
Odoyá e Odociaba são as saudações mais utilizadas para Iemanjá.
Odoyá que significa Mãe das Águas, é comumente utilizada da seguinte forma: “Eu sou Filho de Iemanjá. Odoyá minha mãe!”.
Já Odociaba invoca a poderosa força das águas. A saudação que significa Rainha da Águas Sagradas e é utilizada na expressão “Odociaba, Mãe Iemanjá!”.

A celebração à Iemanjá é uma das mais conhecidas e importantes em nosso território nacional. Considerada a Grande Mãe, ela em toda sua bondade acolhe a todos que a procura com muito amor e benevolência materna.


 
OMOLU

É o Orixá que rege a morte ou o instante da passagem do plano material para o plano espiritual (desencarne).

Se Omolu rege sobre o "cemitério" e sobre os espíritos dos "mortos", é porque esses espíritos atentaram sobre a vida ou algum dos seus sentidos. Logo, só deve temê-lo quem assim proceder, pois aí, queira ou não, será alcançado por sua irradiação paralisadora que atuará sobre seu magnetismo e o enviará a um meio, onde só seus afins desequilibrados vivem.
"A cada um segundo seu merecimento", é o que diz a Lei. Lá o mistério de Omolu aplica este princípio em seu aspecto negativo e o define assim: "A cada um, segundo seus atos. Se positivos, que sejam conduzidos à luz da vida, mas se negativos, que sejam arrastados para os sombrios domínios da morte dos sentidos e sentimentos desvirtuadores da vida". 
Omolu é o guardião Divino dos espíritos caídos, o Senhor dos Mortos.
O Orixá Omolu guarda para Olorum todos os espíritos que fraquejaram durante sua jornada carnal e se entregaram à vivência de seus vícios emocionais. Mas ele não pune e nem castiga ninguém, pois estas ações são atributos da Lei Divina.

É denominado também o "Curador Divino" que tanto cura a nossa alma divina, como também o nosso corpo doente. Se orarmos a Ele quando estivermos enfermos ele atuará no corpo energético, nosso magnetismo, nosso campo vibratório e sobre o nosso corpo carnal, que tanto poderá curá-lo quanto nos conduzir a um médico que detectará a doença e receitará a medicação devida.

É um Orixá guerreiro e brabo. É associado à terra e ao fogo porque veio do interior da terra, das lavas vulcânicas do centro de nosso planeta e nasceu com o corpo coberto de chagas.
No entanto, não é só por causa de sua doença que Omolu se cobre de palha. Ele é rei dos mistérios da vida e da morte, não pode ser olhado de frente pelos homens. Como o Sol e a verdade, ele poderia cegá-los. Por isso, devemos máximo respeito a esse Orixá, que representa melhor do que ninguém o mistério da Vida.

Sincretizado por São Lázaro, o Santo protetor dos mendigos e leprosos. Nesse sincretismo, ambos passaram pelo sofrimento da enfermidade, mas nunca deixaram de ajudar os outros e a ter fé. 

As cores que representam Omolu são preto, vermelho e branco. 

As saudações são usadas para mostrar aos Orixás a confiança nos seus poderes e também nos momentos que são cultuados, a mais comum de ser usada para Omolu é "Atotô Omolu".

A oferenda pode ser feita nos momentos de comemoração a esse Orixá, como nos dias dedicados a ele, ou então em momentos especiais nos terreiros. Em geral, é feita para algum pedido ou agradecimento ao Orixá. Portanto, deve ser realizada levando em consideração esses aspectos.
Os ingredientes mais usados para as oferendas para Omolu são pipoca, azeite de dendê e lascas de coco. 
Apesar de seu temperamento forte, nada que uma boa e simples oferenda de pipoca não acalme nesse guerreiro. O banho de pipoca tradicional desse orixá pode ser um valioso trabalho para a saúde de um filho doente ou que esteja passando por um período de depressão.

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Bom...chegamos ao fim do tópico "Os Orixás na Umbanda" e conhecemos todos os tronos, suas características, sincretismos, oferendas e etc.


Te convido a vir comigo para o próximo post conhecer um pouco do Orixá Exu. 
Aposto que só pelo nome já deu curiosidade de ler sobre ele. O tão conhecido popularmente, e pelo preconceito, como diabo, demônio e algo ruim que faz o mal. Vem comigo desfazer esse mal entendo pela falta do conhecimento.....Bora lá?

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